Igreja Presbiteriana Independente de Vila Carrão
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Os Cinco Pontos do Calvinismo
Predestinação

Somos todos predestinados? Ou temos livre arbítrio? A fornalha da discussão vem sendo alimentada há séculos, desde Agostinho, cuja perspectiva doutrinária foi ampliada e enfatizada por João Calvino (1509-1564), para quem a soberania de Deus predeterminou tudo que acontece. O arminianismo opõe-se ao calvinismo, enfatizando o livre-arbítrio, a responsabilidade humana quanto à salvação, e negando que todas as coisas tenham sido predestinadas desde a eternidade.

O Calvinismo

Calvinismo é o sistema teológico das Igrejas Reformadas, cuja expressão doutrinária oficial é a Confissão de Fé de Westminster, regida por determinação do parlamento inglês. Em reunião realizada em 1618-1619, que teve como objetivo contra-atacar o arminianismo, que prega o "livre-arbítrio", surgiram os "cinco pontos do calvinismo", conforme abaixo:

  1. Total depravação. O homem natural não pode apreciar sequer as coisas de Deus. Menos ainda salvar-se. Ele é cego, surdo, mudo, impotente, leproso espiritual, morto em seu pecado, insensível à graça comum. Se Deus não tomar uma iniciativa, infundindo-lhe fé salvadora, e fazendo-o ressuscitar espiritualmente, o homem natural continuará morto eternamente. Sl.51:5; Jr.13:23; Rm.3:10-12; 7:18; 1Co.2:14; Ef.1:3,12; Cl.2:11-13.

  2. Eleição incondicional. Deus elegeu alguns para a salvação em Cristo, reprovando os demais. Deus não tem a obrigação de salvar ninguém, nem os homens, nem anjos caídos. Resolveu soberanamente salvar alguns homens, reprovando os demais, tornando-os filhos adotivos quando ainda eram filhos das trevas. Teve misericórdia de algumas criaturas, e deixou as demais (inclusive os demônios) entregues às suas próprias paixões pecaminosas. A salvação é efetuada totalmente por Deus. A fé, como a salvação, é um dom de Deus ao homem, não do homem a Deus. Ml.1:2,3; Jo.6:65; 13:18; 15:6; 17:9; At.13:48; Rm.8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef.1:4,5; 2:8-10; 2 Ts.2:13; 1 Pe.2:8,9; Jd.1,4.

  3. Expiação limitada ou particular. Segundo Agostinho, a graça de Deus é "suficiente para todos, eficiente para os eleitos". Cristo foi sacrificado para redimir Seu povo, não para tentar redimi-lo. Ele abriu a porta da salvação para todos, porém, só os eleitos querem entrar, e efetivamente entram. Jo.17:6,9,10; At.20:28; Ef.5:25; Tt.3:5.

  4. Graça irresistível ou infalível. Embora os homens possam resistir à graça de Deus, ela é, todavia, infalível: acaba convencendo o pecador de seu estado depravado, convertendo-o, dando-lhe nova vida, e santificando-o. O Espírito Santo realiza isto sem coação. Alguns escarnecem de Deus, outros se enfurecem, outros ainda adiam sua decisão, outros demonstram total indiferença para com as coisas sagradas. Todos, porém, agem livremente. Jr. 3:3; 5:24; 24:7; Ez. 11:19,20; 36:26,27; 1 Co. 4:7; 2 Co. 5:17;Ef.1:19,20;Cl.2:13;Hb.12:2.

  5. Perseverança dos salvos. Não há nada no homem que o habilite a perseverar na obediência e fidelidade ao Senhor. O Espírito é quem persevera pacientemente, exercendo misericórdia e disciplina, na condução do crente. Quando o ímpio estava morto em seu pecado e delito, e ressuscitou: Cristo lhe aplicou Seu sangue remidor, e a graça salvífica de Deus infundiu-lhe fé para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o processo de salvação é a obra de Deus, o homem não pode perdê-la! Segundo a Bíblia, é impossível que o crente regenerado venha a perder a salvação. Poderá pecar e morrer fisicamente (1 Co.5:1-5). Os apóstatas nunca nascem de novo, jamais se convertem. Is.54:10; Jo.6:51; Rm.5:8-10; 8:28,32,34-39; 11:29; Fl.1:6; 2 Ts.3:3; Hb.7:25.

"Se alguém atribui alguma parte da salvação, ainda que seja a mais insignificante, ao livre arbítrio do homem é porque não sabe nada a respeito da graça de Deus e não conhece Jesus Cristo como realmente é devido" (Martinho Lutero).

 

Rev. Luiz Pereira de Souza