Igreja Presbiteriana Independente de Vila Carrão
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Confissão De Westminster E O Juízo Final

 

A confissão de Westminster, promulgada em 1647, manifesta o pensamento da Igreja Reformada. Separamos o capítulo trinta e três da referida Confissão, o qual está no contexto que vamos analisar. Esta Confissão de Fé ocorreu cento e dezessete anos após a Confissão Luterana de Augsburgo, de 1530, podendo o leitor constatar que a linha de pensamento permanecia a mesma, ou seja, a Igreja ainda não havia sido invadida por doutrinas estranhas à ortodoxia Cristã. Passamos a transcrever o retromencionado capítulo e em seguida iremos comentá-lo, deixando claro aos amigos leitores que as referências bíblicas, ao final de cada inciso do capítulo da Confissão em questão, são originais, isto é, fazem parte do bojo da própria Confissão de Westminster , somente sendo nossos os destaques ortográficos.

"CAPÍTULO XXXIII DO JUIZO FINAL

I. Deus já determinou um dia em que, segundo a justiça, há de julgar o mundo por Jesus Cristo, a quem foram pelo Pai entregues o poder e o juízo. NESSE DIA NÃO SOMENTE SERÃO JULGADOS OS ANJOS APÓSTATAS, MAS TAMBÉM TODAS AS PESSOAS QUE TIVEREM VIVIDO SOBRE A TERRA COMPARECERÃO ANTE O TRIBUNAL DE CRISTO, A FIM DE DAREM CONTA DOS SEUS PENSAMENTOS, PALAVRAS E OBRAS, E RECEBEREM O GALARDÃO SEGUNDO O QUE TIVEREM FEITO, BOM OU MAU, ESTANDO NO CORPO.

Ref. At. 17:31 ; João 5:22, 27; Judas 6; II Ped. 2:4; II Cor.5:10; Ec. 12:14; Rom. 2:16, e 14:10, 12; Mat. 12:36-37.

II. O FIM QUE DEUS TEM EM VISTA, DETERMINANDO ESSE DIA, É MANIFESTAR A SUA GLÓRIA - a glória da sua misericórdia na salvação dos eleitos e a glória da sua justiça na condenação dos réprobos, que são injustos e desobedientes. OS JUSTOS IRÃO ENTÃO PARA A VIDA ETERNA E RECEBERÃO AQUELA PLENITUDE DE GOZO E ALEGRIA PROCEDENTE DA PRESENÇA DO SENHOR; MAS OS ÍMPIOS, QUE NÃO CONHECEM A DEUS NEM OBEDECEM AO EVANGELHO DE JESUS CRISTO, SERÃO LANÇADOS NOS ETERNOS TORMENTOS e punidos com a destruição eterna proveniente da presença do Senhor e da glória do seu poder.

Ref. Rom. 9:23; Mat. 2.5:21; Rom. 2:5-6; II Tess. 1:7-8; Mat. 25:31-34; At. 3:19.

III. Assim como Cristo, para afastar os homens do pecado e para maior consolação dos justos nas suas adversidades, quer que estejamos firmemente convencidos de que haverá um dia de juízo, ASSIM TAMBÉM QUER QUE ESSE DIA NÃO SEJA CONHECIDO DOS HOMENS, A FIM DE QUE ELES SE DESPOJEM DE TODA CONFIANÇA CARNAL, SEJAM SEMPRE VIGILANTES, NÃO SABENDO A QUE HORA VIRÁ O SENHOR, E ESTEJAM PRONTOS PARA DIZER - "VEM LOGO, SENHOR JESUS". AMÉM.

Ref. II Ped. 3:11, 14; II Cor. 5:11; II Tess. 1:5-7; Luc. 21:27-28; Mat. 24:36, 42-44; Mar. 13:35-37; Luc. 12:35-36; Apoc. 22:20. "

Passemos agora à análise dos incisos deste capítulo XXXIII da Confissão em tela. No primeiro inciso vemos que a Igreja entendia, caros leitores, que haverá um dia reservado para o julgamento do mundo, dia este denominado "o dia do Juízo Final". Nesse dia seriam julgados tanto justos como injustos, bem como os anjos. Diferentemente do que ocorre atualmente, quando a Teologia vigente, denominada Pré-Milenista, ensina que o Tribunal de Cristo não é o Juízo Final, mas seria um Julgamento das obras dos Cristãos para efeito de galardão, os Signatários da confissão de Westminster deixaram claro que o Tribunal de Cristo e o Juízo Final são um único episódio, o que é coerente com as declarações do Apóstolo Paulo, o qual afirmou que no Tribunal de Cristo os homens hão de receber "o bem ou o mal ", conforme II Cor 5: 10, porque se o Tribunal de Cristo fosse um Juízo só para justos, com a finalidade de se conceder galardões para os salvos, seria um absurdo haver um galardão concedido por Cristo a seus filhos que tivesse uma classificação " mal" . Atentem os leitores para as passagens citadas pelos eminentes Teólogos da Confissão em questão, que serviram de fundamentação para suas conclusões, sendo que nós nos deteremos na de Mateus 12:36,37 que diz: " Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado." Ora, caros leitores, está patente que no Juízo Final estarão presentes os Justos e os ímpios, pois conforme o Senhor Jesus disse, se há justificados no Juízo é porque eles estarão presentes. Portanto, a Confissão de Westminster nada mais declarou, senão o óbvio, a saber: O Juízo Final será para Justos e Injustos, os quais receberão naquele dia o bem ou o mal.

O Inciso II nos deixa claro, segundo os signatários da Confissão, que a finalidade do Juízo Final é a manifestação da glória de Deus, que será misericórdia na salvação dos Justos e justiça na condenação dos ímpios. Atentem os leitores que àqueles teólogos a Parábola dos Bodes e das Ovelhas se refere ao Juízo Final, conforme vemos na citação feita por eles de Mateus 25:31-34, diferentemente de hoje, quando os Teólogos Pré-Milenistas atribuem a alusiva Parábola a um esdrúxulo juízo de nações. Vejam também os leitores que eles entendiam que o Juízo final ocorrerá na Vinda de Cristo e não mil, ou mil e sete anos depois, conforme se vê pela citação de II Tess. 1: 7,8 que diz: " E a vós, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, QUANDO DO CÉU SE MANIFESTAR O SENHOR JESUS COM OS ANJOS DO SEU PODER EM CHAMA DE FOGO, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus." Portanto, a Confissão de Westminster nada mais declarou, senão o óbvio, a saber: O Juízo Final ocorrerá na Vinda de Cristo.

O Inciso III é, sem a menor sombra de dívida, uma declaração contundente dos Teólogos de Westminster de que o Juízo Final ocorrerá na Vinda de Cristo. Se o leitor ainda persiste na dúvida, é só relê-lo e poderá então saná-la definitivamente. Considerando as citações bíblicas do Inciso III, podemos constatar irmãos, que eles também criam que a Vinda de Cristo seria numa única fase, haja vista que é óbvio para todos os estudantes da Bíblia, quer seja Pré-Milenista ou não, que a afirmação de Cristo para que seus servos vigiem, a fim de não serem surpreendidos por ocasião da sua vinda, se refere ao dia do Arrebatamento, conforme a citação de Mateus 24:42-44 que diz: " Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor; sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem". O fato dos signatários daquela Confissão terem usado uma passagem bíblica alusiva ao arrebatamento, para se fundamentarem que na vinda de Cristo ocorrerá o Juízo final, é porque criam que o arrebatamento e a vinda de Cristo, de forma visível, é um único acontecimento, logo entendiam a vinda de Cristo como sendo numa única fase. Portanto, a Confissão de Westminster nada mais declarou, senão o óbvio, a saber: A vinda de Cristo será numa única fase, quando então ocorrerá o Juízo Final , o qual será para Justos e Injustos, que então receberão o bem ou o mal. A conclusão final a que chegamos é que até 1647, indubitavelmente, a Igreja nunca entendeu a vinda de Cristo como sendo em duas fases, sendo essa interpretação algo "moderno". Como era diferente a doutrina da Igreja na época dos Reformadores, em relação aos dias atuais, principalmente no campo escatológico.

Gostaríamos de findar aqui este artigo, porém devido aos vários comentários feitos a um outro artigo que escrevemos, cujo nome foi " A Confissão de Augsburgo e a Vinda de Cristo", quando alguns irmãos foram infelizes ao tecerem seus comentários, tais como: " Até parece que os Reformadores têm mais autoridade que a bíblia", queremos dizer que ninguém tem mais autoridade que a Bíblia. Entretanto, tanto eles, como nós, estamos dando nossa interpretação baseados na bíblia, ou seja, aquilo que um irmão afirma ser a declaração da bíblia, na verdade é sua própria interpretação ,ou de outro, que lhe foi ensinada. Quando eu faço um comentário das Confissões de Fé, seja a de Augsburgo ou a de Westminster ou qualquer outra, eu estou querendo mostrar aos irmãos leitores a linha de interpretação teológica daqueles irmãos da Fé Cristã. Quem de nós pode por em dúvida a Fé de um Lutero, que quase foi morto por causa de Cristo, sendo perseguido pelo Papa Leão X, bem como pelo Imperador Carlos V? O que não dizer dos outros Reformadores, como Bucero, Melanchton, Calvino, Knox, e outros desconhecidos por nós, porém conhecidos de Cristo? Nossa geração, pelo contrário, eivada da heresia pré-milenista só pensa nas coisas terrestres. São livros e fitas "fascinantes" tais como: " Deixados para trás", " Fogo Atômico no Oriente Médio" que apenas servem para sugar as gorduras das ovelhas. São viagens à " terra santa", cujo intuito nada mais é do que sugar mais dinheiro do Povo de Deus. São filmes medíocres, tais como " Inferno em chamas" que mostram um diabo no inferno reinando, quando a bíblia ensina que o diabo não está no inferno, mas sim nas regiões celestes, atuando para destruir as almas dos homens e quando o Maligno for para o inferno, ele irá para ser atormentado para todo sempre e não para ficar reinando. São esses atuais Teólogos que patrocinam o Pré-milenismo e ousam atacar a Fé de nossas antepassados Reformadores, acusando-os de Teólogos da substituição, os quais é bem verdade, não eram perfeitos, sendo como qualquer outro homem Cristão, porém expuseram suas vidas pela causa de Cristo e não procuraram sugar as gorduras das ovelhas do senhor. Que Deus tenha misericórdia de nossa geração, porque " o Espírito expressamente diz que nos últimos dias ALGUNS apostatarão da Fé, dando ouvidos a espíritos enganadores" – I Timóteo 4: 1. "Quando o Filho do Homem vier, porventura achará fé na terra?" – Lucas 18: 8.
 


AUTOR: MELQUISEDEC DO NASCIMENTO

Extraído do site http://www.gracaamorevida.com.br